Servas deixa biblioteca com 300 obras em presídio de Vespasiano

27 de julho de 2017

Três meses depois, o Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas) encerrou, na última quarta-feira (26 de julho), o primeiro ciclo do Rodas de Leitura na ala LGBT do presídio, em Vespasiano. O convidado da última roda foi o historiador e escritor Luiz Fernandes de Assis, autor do livro Na esquina do século, trabalhado pelos detentos. A unidade prisional, que vai receber ainda uma biblioteca com 300 obras, dará continuidade ao projeto idealizado pelo Servas e Sempre um Papo, em parceria com a Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap).

O encontro foi marcado por muito envolvimento dos presos e, ao mesmo tempo, enriquecedor para o escritor: “Foi algo completamente diferente, superou todas as minhas expectativas, foi estimulante. Fiquei surpreso com o envolvimento e curiosidade deles, com perguntas de todos os tipos”.

Na avaliação de Luiz Fernandes de Assis, o Rodas de Leitura é um projeto “riquíssimo, que deveria ser ampliado para outros setores da sociedade”.

Pedagoga da unidade, Paula Cristina Franco Oliveira Silva classificou o projeto como “grandioso” e acrescentou: “O Rodas de Leitura do Servas extrapolou todas as expectativas e o trabalho desenvolvido por todos que participaram fez de um projeto de remição por leitura um processo de ensino/aprendizagem que acrescentou muito para as nossas vidas e nos propiciou momentos inesquecíveis”.

Flavia Moranguinho, uma das pessoas privadas de liberdade da ala LGBT, viveu uma nova experiência no Rodas de Leitura. “Estou aprendendo o que é o mundo normal, de ler e aprender. Nunca tive essa oportunidade, está sendo uma experiência nova e enriquecedora para mim.”

 

AMPLIAÇÃO Estimular o hábito de ler e abrir janelas para refletir sobre um futuro melhor é o grande desafio do programa. Por isso, ele será ampliado para mais oito unidades prisionais de Minas Gerais a partir de agosto: os presídios José Maria Alckmin, Antônio Dutra Ladeira, Inspetor José Martinho Drumond e José Abranches Gonçalves, em Ribeirão das Neves; Professor Jason Soares Albergaria e os presídios Bicas 1 e 2, em São Joaquim de Bicas, além de no Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, no Bairro Horto, em Belo Horizonte. As rodas são oferecidas para até 20 pessoas e a duração é de quatro meses.

O trabalho é bastante relevante para o Servas e para as pessoas privadas de liberdade na avaliação da gestora do projeto, Patrícia Velloso. “Tem sido muito significativo para muitos deles. O entusiasmo dos detentos da ala LGBT, sobretudo, nos surpreendeu. Durante todo o processo, eles pediam outros livros e acredito que sentirão muita falta se o projeto não tiver continuidade nas unidades prisionais”, conta.

Levando em consideração que, de todas as atividades culturais, a única realmente factível para o presidiário é a leitura devido ao confinamento, o Servas acredita que a força da transformação contida no livro é transformadora. “Acreditamos que a leitura é uma atividade que, além de prazerosa, é capaz de descortinar horizontes, ampliando a capacidade de reflexão de todos que dela se ocupam. Num presídio, ler é muito importante já que o conhecimento, nesse caso, é literalmente libertador”, observa a presidente do Servas, Carolina Pimentel.

O Rodas de Leitura pode também contribuir para remição das penas conforme recomendação nº 44/2013 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).